Avaliação: GWM Haval H6 HEV2 e os motivos para ele vender tanto
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Por: Lucca Mendonça – Especial para FullPower
Tem carro que demora pra embalar no mercado, e tem carro que, desde a estreia, já mostra bons números de vendas, mas, com o passar do tempo, emplaca cada vez mais. O GWM Haval H6 HEV2 é um ótimo exemplo desse segundo caso: oferecido no Brasil desde o começo de 2023, sempre foi um SUV chinês queridinho do público, mas agora em 2026, reestilizado e flex, ele bate seus próprios recordes.
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Haval H6 foi o quarto SUV mais vendido
Segundo a Fenabrave, foi o quarto SUV mais vendido do mercado nacional em setembro de 2026, com mais de 6.400 carros, número que modelos menores e (bem) mais baratos ainda sonham. No acumulado do ano, incluindo a primeira quinzena de outubro, já passa dos 40 mil exemplares vendidos. É tanta demanda que, mesmo com a fábrica nacional em Iracemápolis (SP), a GWM ainda precisa importar carros da China para dar conta do recado. E, dentre as versões mais vendidas, justamente esse GWM Haval H6 HEV2 2027, híbrido convencional, que roda aos montes pelo país. Como reconhecê-lo? Rodas pretas. Sempre.

Foram sete dias e mais de 830 km a bordo do GWM Haval H6 HEV2, ainda da linha 2026, que tem design atualizado e mais equipamentos, só que ainda usa motor só a gasolina, e tem transmissão DHT e bateria diferentes. O carro que você encontra nas concessionárias, portanto, é da linha 2027, um pouquinho mais moderno na mecânica, e também eficiente no uso geral. No mais, o pacote é o mesmo desse cara das fotos, com preço de R$ 225 mil (só R$ 10 mil mais caro que um Honda HR-V Touring). Vende muito porque é bom, ou é bom porque vende muito?


Receita chinesa
A receita do GWM Haval H6 HEV2 é a tradicional chinesa: design moderno e imponente, linha de cintura elevada, jeitão de carro superior, tamanho generoso e foco em conforto, espaço interno, porta-malas e relação custo X benefício. Na atualização da linha 2026, promovida no ano passado, estreou um interior mais genérico e limpo, com telas maiores, volante de dois raios (bom de pega) e console central elevado, seguindo a cartilha típica dos SUVs chineses atuais. Caiu bem.


Ele é um dos poucos híbridos chineses que não é plug-in, então esqueça a dependência de tomadas de energia elétrica. Na linha 2027, já vem com o motor 1.5 turboflex, mantendo ciclo Miller, injeção direta, duplo comando variável e outros refinamentos, aliado a um motor elétrico dianteiro, totalizando uma potência na casa dos 250 cv e torque de 54 mkgf. Nem é preciso dizer que, mesmo com 4,70 m de comprimento e 1.700 kg na balança, sobra pique nas acelerações e retomadas de velocidade, já que o conjunto é bastante forte e esperto na operação: o motor elétrico, por exemplo, sempre ajuda nas acelerações, afinal a bateria de tração (1,5 kWh) nunca fica sem carga. Há uma espécie de reserva de energia própria para momentos de máxima performance, quando o motorista pede desempenho.


Nas provas de aceleração, rondou os 7,8s para ir de 0 a 100 km/h, número próximo ao da ficha técnica e que também variou pouco entre momentos de carga cheia ou vazia. A carga da bateria do GWM Haval H6 HEV2, aliás, é recuperada pelo próprio motor a gasolina, ou recuperando energia em frenagens e desacelerações. É pequena, então recarrega rápido, e nunca fica descarregada. Só é preciso se acostumar com o som do motor a combustão que ainda invade bastante a cabine em algumas situações, como quando ele sobe o giro (isso foi amenizado após a reestilização da linha 2026, mas ainda é um ponto de atenção nos H6 HEV).



GWM Haval H6 HEV2 é econômico e bom de autonomia
Um motor flex aqui, um motor elétrico novo acolá, uma bateria de tração atualizada ali, melhorias de gerenciamento de energia…e o GWM Haval H6 HEV2 hoje consegue números bem animadores de consumo e autonomia. Talvez isso explique parte do seu sucesso: anda bem e gasta pouco, bem pouco. Segundo o Inmetro, são 15,8 km/l na cidade com gasolina, e assim ele pode rodar quase 870 km sem reabastecer, levando em consideração o tanque de 55 litros. Com etanol, tem números bem mais tímidos (10,2 km/l e 560 km, também na cidade), só que ainda amplia o leque de possibilidades para o motorista na hora de abastecer.


Na prática? Com o GWM Haval H6 HEV2 2026 avaliado, ainda só a gasolina, foi possível passar dos 18,5 km/l no uso urbano em condições ideais, enquanto as médias na estrada rondaram os 14 km/l. Rodou, em média, os 860 km com cerca de 58 litros de gasolina, ou um pouco mais do que um tanque cheio. Na estrada, aliás, é onde o 1.5 turbo fica mais barulhento debaixo do capô, ainda que a nova transmissão aplicada na linha 2027 tenha vindo para resolver esse ponto, também. Na cidade, roda às mil maravilhas, no modo elétrico inclusive em subidas moderadas ou acelerações pacíficas, e o 1.5 entra em ação mais quieto, em giros baixos, para ajudar a impulsionar o carro e carregar a bateria.


Ao volante do GWM Haval H6 HEV2
Falamos de um SUV chinês, mas com alguns diferenciais bacanas: apesar das suspensões bastante confortáveis e macias, é elogiável o comportamento do GWM Haval H6 HEV2 em curvas rápidas, frenagens fortes e afins, condições que ele mantém máxima segurança, com pouca inclinação da carroceria (algo raro para um utilitário do porte dele) e alta aderência dos pneus coreanos (Hankook), que cantam pouco, e só quando levados ao limite. O conforto também aparece na maciez dos pedais, especialmente o de freio, o que pede um pouco de tempo para se acostumar. E, na direção, apesar da assistência elétrica leve mesmo no modo Sport (ela tem peso regulável), a relação favorece respostas rápidas e justinhas.


Sim, o GWM Haval H6 HEV2 é um carro bom de engenharia, como costuma-se dizer de modelos com calibrações corretas de suspensão, direção e freios. Só sofre, um pouco, com algumas condições de pisos ruins (levando a alguns batuques e barulhos na suspensão), e tem excesso de segurança com seus assistentes de condução (ADAS) um tanto invasivos e assustados. Pelo menos, junto da nova multimídia de 14,6 pol. com tela bonita e operação rápida, veio a opção de memorizar o desligamento de algumas tecnologias dessas. Quem não gosta, pode desligar, e assim vai permanecer. Ainda sem fugir das telas, o painel de instrumentos, também renovado, é bonito como a multimídia, só que limitado nas informações: só mostra uma trip do computador de bordo, por exemplo.


O capricho do GWM Haval H6 HEV2 também está no acabamento, esmerado e discreto com os novos materiais aplicados desde a linha 2026, ainda que, visualmente, a cabine anterior brilhasse com mais personalidade e esportividade. Seguem, mesmo assim, bancos dianteiros ergonômicos e com ajustes amplos (a altura do motorista, por exemplo, tem curso enorme, atendendo desde quem curte um cockpit baixo, até banco mais alto), ventilação de assento para motorista e copiloto, além de botões físicos de fácil acesso para controles principais de ar-condicionado e luzes, regulagem de altura dos faróis, teto-solar e sua persiana elétrica, entre outros. Seu novo volante já vai por outro caminho: é minimalista ao extremo, com poucas teclas, algumas até com função dupla (confuso).



Sobra espaço para todos a bordo do GWM Haval H6 HEV2: quem vai na frente fica longe do teto e conta com a separação justa pelo largo console central. Atrás, mais da carroceria alta e larga, chamando a atenção pelo enorme vão para pernas e pés. Um bom trabalho de engenharia, que dá direito a portas grandes, generosa área envidraçada (deixa a condução mais fácil, também) e assoalho plano. Viajam nele cinco adultos sem muitos problemas, mais 560 litros do espaçoso porta-malas com tampa de abertura elétrica. Pena que ele não traz estepe, apenas kit de reparo.



Falando em conteúdo, é de série no GWM Haval H6 HEV2 um enorme pacote ADAS, rodas aro 18 escurecidas, teto-solar panorâmico com cortina elétrica, a tampa do porta-malas elétrica, instrumentação digital (10,2 pol.), multimídia com apps nativos e 14,6 pol., internet a bordo, iluminação ambiente em LED, sensores de chuva e crepuscular, retrovisor interno fotocrômico, carregador sem fio de 50W, bancos dianteiros elétricos e com ventilação, retrovisores com rebatimento elétrico, controle eletrônico de descidas (HDC), câmeras 540º, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, modo de reversão automática de manobras, comandos de voz inteligentes, sistema de som com 8 alto-falantes (de qualidade muito superior ao do modelo anterior, antes da reestilização), head-up display, ar digital automático dual zone com saídas traseiras, entre outros luxos.



GWM Haval H6 HEV2: sucesso merecido?
Não, não falamos de um SUV médio híbrido perfeito. Longe disso. Porém, no conjunto da obra, o GWM Haval H6 HEV2 tem uma fórmula das boas: mecânica, motorização, desempenho, consumo, design, equipamentos. E seu preço, nessa versão, só é um pouquinho acima do que é cobrado pelos SUVs compactos mais caros, ou o mesmo de alguns médios tradicionais, mais simples e sem eletrificação (vide Renault Boreal Iconic ou VW Taos Highline, por exemplo). E, se você quiser economizar R$ 26 mil, saiba que ainda existe o Haval H6 HEV One, de R$ 199 mil, que só perde alguns equipamentos supérfluos, sem mexer na receita básica.

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