Como funciona?

Carros híbridos: entenda as diferenças entre MHEV, HEV, PHEV, EREV e super híbridos

Carros híbridos não são todos iguais. Você sabe a diferença entre eles?

Carros híbridos

Por: Lucca Mendonça – Especial para FullPower

Os carros híbridos estão cada vez mais presentes no mercado brasileiro, com opções de diferentes marcas, tamanhos e faixas de preço. Apesar disso, ainda existem dúvidas sobre o funcionamento das tecnologias disponíveis. Afinal, o que diferencia um híbrido leve de um convencional? Quais precisam ser carregados na tomada? E o que são os chamados super híbridos?

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Toyota Corolla Cross XRX HEV – Foto: divulgação

Em comum, esses veículos utilizam motores elétricos e a combustão para movimentação ou geração de energia, mas existem diferenças importantes entre os sistemas. As principais categorias são identificadas pelas siglas MHEV, HEV, PHEV e EREV, além de denominações comerciais adotadas pelas fabricantes.

Carros híbridos MHEV

Jeep Renegade Sahara MHEV 2027 – Foto: Lucca Mendonça

Os carros híbridos MHEV, sigla para Mild Hybrid Electric Vehicle, são conhecidos como híbridos leves. Neles, o sistema elétrico tem participação limitada no funcionamento do veículo, auxiliando o motor a combustão em determinadas situações, como arrancadas e retomadas de velocidade.

Normalmente, esses carros híbridos utilizam sistemas elétricos de 12V ou 48V, com um motor-gerador que pode substituir componentes tradicionais, como alternador e motor de partida. Também conseguem recuperar parte da energia durante desacelerações, armazenando-a em uma pequena bateria.

Fiat Fastback Audace MHEV – Foto: Lucca Mendonça

A principal característica dos carros híbridos MHEV é que, geralmente, eles não conseguem movimentar o veículo utilizando apenas eletricidade. O motor a combustão continua sendo o principal responsável pela tração, enquanto o sistema elétrico contribui para reduzir o consumo de combustível e as emissões. É o caso de modelos como Fiat Pulse e Fastback T200 Hybrid, que utilizam um sistema híbrido leve de 12V, além de Fiat Toro MHEV ou Jeep Renegade MHEV, esses híbridos-leves de 48 Volts. Entre os carros híbridos, essa é uma das soluções mais simples de eletrificação.

Fiat Toro Volcano MHEV 2027 – Foto: divulgação

HEV: híbridos convencionais

Já os carros híbridos HEV, ou Hybrid Electric Vehicle, possuem um sistema elétrico mais desenvolvido, capaz de movimentar o veículo sem a participação do motor a combustão em determinadas condições. Isso costuma acontecer em baixas velocidades e por distâncias reduzidas. O funcionamento é automático: dependendo da velocidade, da carga da bateria e da necessidade de potência, o veículo pode utilizar somente o motor elétrico, apenas o motor a combustão ou ambos simultaneamente.

GWM Haval H6 HEV2 – Foto: Lucca Mendonça

Outra característica dos carros híbridos HEV é que eles não precisam ser conectados à tomada. A bateria é recarregada pelo próprio funcionamento do conjunto mecânico e pela recuperação de energia durante frenagens e desacelerações. Toyota Corolla Hybrid, Honda CR-V Advanced Hybrid, Omoda 5 HEV e GWM Haval H6 HEV são exemplos dessa tecnologia. Sua principal vantagem está na possibilidade de reduzir o consumo de combustível, especialmente no trânsito urbano, sem exigir mudanças na rotina de abastecimento do motorista.

Toyota Corolla 2026 na versão GLI HEV – Foto: divulgação

PHEV: híbridos que carregam na tomada

Entre os carros híbridos, os PHEV são aqueles que permitem recarga externa. A sigla significa Plug-in Hybrid Electric Vehicle, ou veículo híbrido elétrico plug-in, que pode, inclusive, ser flex. A principal diferença em relação aos HEV está na capacidade da bateria, geralmente maior, permitindo percorrer distâncias mais longas utilizando somente eletricidade. Dependendo, essa autonomia pode variar de algumas dezenas de quilômetros a mais de 100 km, conforme as condições de utilização e o padrão de medição.

Volvo XC90 2026 é um PHEV – Foto: Lucca Mendonça

Com a bateria carregada, um híbrido plug-in pode funcionar como um carro elétrico durante boa parte dos deslocamentos cotidianos. Quando a carga diminui, o motor a combustão entra em funcionamento, permitindo continuar a viagem sem depender exclusivamente de um carregador. Modelos como BYD Song Plus, BYD Song Pro e GWM Haval H6 PHEV utilizam essa tecnologia, que combina a possibilidade de rodar sem consumir combustível em determinados trajetos com a autonomia proporcionada pelo tanque.

Audi Q5 PHEV – Foto: Lucca Mendonça

Por outro lado, os carros híbridos PHEV costumam ser mais caros e pesados que os convencionais. Para aproveitar melhor sua eficiência, o ideal é realizar recargas frequentes, especialmente para quem utiliza o veículo diariamente na cidade.

EREV: elétricos com autonomia estendida

Leapmotor B10 REEV – Foto: divulgação

Outra tecnologia encontrada no mercado brasileiro é a dos EREV, sigla para Extended Range Electric Vehicle. Esses veículos também podem ser identificados como REEV, ou elétricos com extensor de autonomia. Nesse sistema, a movimentação das rodas fica exclusivamente a cargo de um ou mais motores elétricos. O motor a combustão não possui ligação mecânica com a tração, funcionando apenas como gerador de eletricidade para alimentar o sistema e ampliar a autonomia.

Na prática, a experiência de condução é semelhante à de um carro totalmente elétrico, com respostas imediatas do acelerador e funcionamento silencioso do conjunto de tração. A diferença é que existe um motor a combustão embarcado, permitindo continuar a viagem mesmo quando não há um carregador disponível.

Leapmotor C10 REEV – Foto: Lucca Mendonça

Dois bons exemplos são os Leapmotor B10 e C10 REEV, comercializados no Brasil, além do veterano BMW i3 EREV. Nele, o motor a gasolina atua exclusivamente na geração de energia, enquanto o propulsor elétrico é responsável por movimentar o SUV. Os EREV também podem receber recarga externa, como os híbridos plug-in. Sua principal diferença está na arquitetura mecânica, já que o motor a combustão nunca movimenta diretamente as rodas. Por essa razão, também são frequentemente classificados como carros híbridos em levantamentos e regulamentações.

BMW i3 tinha versões REEV, chamadas de EREV – Foto: divulgação

E os chamados super híbridos?

Além das classificações técnicas, algumas fabricantes utilizam denominações comerciais para identificar seus sistemas de propulsão. É o caso dos chamados super híbridos, expressão adotada principalmente pela BYD em modelos equipados com a tecnologia DM-i. Apesar do nome, super híbrido não representa uma categoria técnica independente. Na prática, esses veículos são híbridos plug-in, mas com uma arquitetura que prioriza o funcionamento elétrico em diversas situações.

BYD Song Plus

BYD Song Plus PHEV 2024 – Foto: divulgação

Nos sistemas DM-i da BYD, por exemplo, o motor elétrico costuma ser o principal responsável pela movimentação do veículo, enquanto o propulsor a combustão pode atuar como gerador ou também participar diretamente da tração, dependendo das condições de utilização. Essa característica diferencia os super híbridos dos EREV, nos quais o motor a combustão nunca movimenta as rodas. BYD King, Song Pro e Song Plus são exemplos de veículos comercializados com a denominação super híbrido.

BYD King DM-I – Foto: Lucca Mendonça

O objetivo dessa tecnologia de carros híbridos é combinar a eficiência da propulsão elétrica no uso cotidiano com a versatilidade do motor a combustão em viagens mais longas, reduzindo a necessidade de paradas para recarga.