Por: Teco Caliendo / Fotos: João Mantovani e Leonardo Figueira

Definitivamente, não há componente que altere e defina mais o visual de um carro do que uma roda. Até o estilo de um modificado é reconhecido de acordo com o modelo escolhido! Aro grande — o diâmetro, expresso em polegadas —, acabamento cromado e pneu ultrabaixo dá aquela cara de suntuosidade, sofisticação, porém sem muita discrição. Um típico DUB. Aro pouco acima do original, pintura escura, às vezes fosca, tala larga — a largura da roda, também em polegadas —, raios finos… Hummm, este deve andar bem. Foi montado para acelerar, frear e contornar. É um preparado. Tem aquele outro, com aro de dimensão original na dianteira, pneu largo, alto. Na traseira o pneu é bem fininho! A frente é pregada no chão e a suspensão traseira parece que foi tirada de um off-road, de tão alta. Com certeza é de arrancada. Um tração dianteira, no caso.tecnica-rodas-fullpower-1563

Pois é. Realmente, dá para identificar um modificado pelas rodas. Mas, é preciso tomar cuidado. É comum encontrar um carro com rodas erradas. Claro que gosto não se discute, mas independente do modelo, acabamento ou estilo, certas regras de engenharia e até leis de trânsito precisam ser seguidas ou, pelo menos, interpretadas, adaptadas.

tecnica-rodas-fullpower-9028Além da tão amada e desejada dimensão do aro, há outras medidas que devem ser conhecidas para se montar um jogo de rodas. É claro que o atendente de sua loja preferida lhe ajuda a escolher. Mas, acredite: dependendo do projeto e de suas aspirações, cedo ou tarde, você mesmo precisará tirar medidas para instalar aquela tão sonhada redonda em seu carro. O lojista simplesmente pode alegar que ela não cabe. Que tem uma furação ou offset inadequados.

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Foose ensina: o stance (postura) do carro é definida pelo posicionamento das rodas

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Se você for tão inconformado quanto eu, pode tentar “fazer caber” quase tudo. Uma roda de BMW, com furação 5×120 mm, por exemplo, em um Volkswagen com 4×100 mm. Ou pior: tentar instalar uma aro 19” de Porsche com furação 5×130 mm em um carrinho com 5×100 mm.

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Bom, já que toquei no assunto, vamos começar pela medida de furação, também chamada de PCD: o primeiro numeral, o “4” ou “5”, é a quantidade de furos com rosca ou para acomodar prisioneiros nos cubos. O segundo número, o “100”, expresso em milímetros (pode ser em polegadas também, 4”, 4,5”, 5”…), é o diâmetro do centro destes furos. Para descobrir a medida em uma furação em par (4, 6, 8) é só medir do centro de um furo ao centro do furo seguinte. Para cinco furos… Bom, o buraco é mais embaixo. Na verdade, mais para o lado. É preciso medir o centro do primeiro furo, com a extremidade externa do terceiro furo. Isso mesmo. Concordo, é um pouco mais difícil, mas dá para chegar bem perto do que seria a medida exata.

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Para achar a furação, também chamada de PCD, é preciso medir a distância entre os centros de dois furos, em rodas com furações pares. Nas rodas de cinco furos há uma ferramenta especial para a medição. Para um resultado aproximado, meça a distância do centro do primeiro até a extremidade do terceiro furo

Quando você olha para um carro de um customizador como os americanos Troy Trepanier, da Rad Rides, Steve Strope, da Pure Vison Design, ou o conhecido Chip Foose, da Foose Design, o visual é sempre impressionante. Independente da cor, modificação na lataria, parece que o carro já nasceu para acomodar aquelas rodas tão grandes e largas. Pois, saiba que este é o ponto. Ele foi construído em torno das redondas, mesmo! A maior parte do trabalho de modificação estrutural de um veículo montado por estes caras é acomodá-las na carroceria.

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Entre as inúmeras alterações, Foose explica o que realmente importa: o chamado “the look”, “o visual” (os outros chamam de “foosificado”). “Do meio dos anos 1950 para cá, os para-lamas dos carros foram integrados à carroceria, eles ficaram mais ‘quadrados’. Seja qual for a tala ou aro, é preciso criar ‘stance’ (a ‘postura’) do carro. A suspensão traseira pode ser levemente elevada, em relação à dianteira. Apenas o suficiente para o carro ficar reto em movimento. As rodas precisam estar bem próximas dos para-lamas, quase raspando. O backspace e offset devem ser medidos exaustivamente antes de fabricar a roda (as dessas máquinas são sempre feitas sob encomenda). Quando o pneu dianteiro começar a sumir dentro do para-lama, esta é a altura certa. É para isso que modificamos tantas coisas”, ensina Foose. Hummm! Mais duas medidas foram citadas: backspace e offset.

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O backspace pode ser medido com duas réguas e é muito útil na hora de comprar rodas americanas, onde a medida é padronizada. No caso desta Foose Nitrous, aro 19” e tala 10”, o backspace é de 6,5”

Até profissionais confundem ou simplesmente não sabem como encontrar ou como empregar essas dimensões. Backspace é a distância a partir do ponto onde a roda fica apoiada no cubo do carro até sua borda interna. É expressa em polegadas e raramente sua dimensão está gravada na roda: tem de ser medida sempre.

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Certas informações podem estar gravadas no lado interno da roda. Carga máxima, offset, tala, aro… O furo central deve ser ajustado ao cubo do carro para não sobrecarregar parafusos ou prisioneiros. Anéis centralizadores resolvem a parada

O offset complica um pouco, pois é uma medida onde um de seus pontos é uma linha imaginária. Expresso em milímetros, é a distância entre o centro do aro (metade da tala) até a face que apoia no cubo (a mesma do backspace). O offset pode ser negativo, zerado ou positivo. Em carros de passeio, quase sempre é positivo e vem gravado na roda. É identificado pelas letras ET (Einpress Tiefe, profundidade para montagem), seguidas de um numeral, normalmente de dois dígitos, a distância em milímetros. O valor de backspace menos esta linha central (a tala dividida por dois) resulta no offset. Espaçadores e até usinagem no apoio da roda alteram offset e backspace. Dá para incrementar a estabilidade, aumentando a bitola (largura do eixo), porém a tendência dos pneus copiarem irregularidades do piso fica acentuada.

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Visão além do alcance: no raio-x, as medidas de aro (01), tala (02) e backspace (03) expressas em polegadas. A linha (04) representa o offset, em milímetros, que se baseia no centro da roda (linha sólida). Pouco difundida é a caliper clearance (05), o vão entre a pinça de freio e os raios. Ela é definida de acordo com o modelo da pinça

Ao empregar espaçadores, cheque se o comprimento dos parafusos é suficiente para um aperto seguro. Hoje é fácil adquirir parafusos longos ou prisioneiros e porcas específicos. Em roscas M12x1,5 mm, para uma fixação segura, é recomendado pelo menos 6,5 voltas para aperto. Nas M14x1,5 mm, 7,5 voltas. Alguns regulamentos de competição exigem o uso de prisioneiros e de porcas do tipo passante (vazadas), garantindo aperto. Espaçadores também servem para se usar uma furação diferente da original do carro. Só certifique-se que o furo central do espaçador é igual ao do cubo do carro. Nas rodas, a medida do furo central é importante. Caso a roda, ou espaçador, tenha um furo maior que o do cubo, os parafusos ou prisioneiros ficarão sobrecarregados suportando todo o peso daquela parte do carro. Cuidado!

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