Desde 147 Furgão até a polêmica da Toro como primeira picape intermediária monobloco, a Fiat já fez bastante coisa
Oito carros pioneiros criados pela Fiat no Brasil
Ao longo de seus 50 anos de atuação no Brasil, completados em 2026, a Fiat lançou diversos veículos que ajudaram a criar ou consolidar novas categorias no mercado nacional. Entre eles estão a primeira picape derivada de automóvel, um dos principais responsáveis pela popularização dos carros 1.0 e o primeiro esportivo nacional equipado com motor turbo de fábrica.
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Fiat Strada Ranch T200 – Foto: Lucca Mendonça
Segundo a fabricante, foram nove pioneirismos desde 1977, embora um deles, atribuído à Toro, também possa ser creditado à Renault. A lista inclui modelos que marcaram diferentes épocas da indústria brasileira, como 147, Uno, Palio Weekend e Strada. Algumas dessas soluções continuam presentes nos veículos atuais, enquanto outras perderam espaço com a evolução do mercado.
Fiat 147 Furgão (1977): o pequeno utilitário de carga

Fiat 147 Furgão – Foto: divulgação
O primeiro exemplo apareceu em 1977, apenas um ano depois da chegada da Fiat ao Brasil. Derivado do 147, o Furgão, também conhecido como Furgoneta, dispensava o banco traseiro e os vidros laterais posteriores para oferecer um compartimento destinado ao transporte de mercadorias. Apesar das dimensões compactas, tinha capacidade para 420 kg ou 1.160 litros de carga. A mecânica era compartilhada com o automóvel de passeio, incluindo o motor 1.0 de 55 cv. O conceito continuou posteriormente com o Uno Furgão, lançado em 1988, e o Novo Uno Furgão, de 2013.
Fiat 147 Pickup (1978): a primeira picape derivada de carro

Fiat 147 Pickup – Foto: divulgação
Em 1978, a Fiat apresentou a 147 Pickup, apontada como a primeira picape brasileira derivada de um automóvel de passeio. O modelo utilizava a estrutura do 147, mas substituía a parte traseira da carroceria por uma pequena caçamba. Inicialmente, a capacidade era de 380 kg ou 600 litros, com uma tampa traseira que se abria lateralmente. Em 1981, a picape passou a utilizar a plataforma da Panorama, aumentando o espaço de carga para 825 litros e a capacidade para 500 kg. Essa evolução também trouxe o nome Fiorino Pickup. Anos depois, o conceito seria aproveitado pela picape derivada do Uno e, principalmente, pela Strada, lançada em 1998.
Fiat 147 Fiorino (1980): o furgão derivado de picape

Fiat 147 Fiorino – Foto: divulgação
A terceira novidade apareceu em 1980, com o Fiat 147 Fiorino. Diferentemente do Furgão de 1977, que mantinha a carroceria básica do hatch, o novo utilitário utilizava uma estrutura traseira fechada, semelhante a um pequeno baú. O compartimento oferecia 2.500 litros de volume e capacidade para transportar até 420 kg. A motorização incluía o propulsor 1.3, com até 62 cv na configuração movida a etanol.

Fiat 147 Fiorino – Foto: divulgação
A fórmula combinava dimensões reduzidas, espaço para mercadorias e custos operacionais relativamente baixos. Em 1988, o Fiorino passou a utilizar a plataforma do Uno, enquanto uma nova geração, derivada do Novo Uno, chegou em 2014. O modelo continua em produção e permanece como um dos principais representantes dos furgões compactos.
Fiat Uno Mille (1990): a popularização dos carros 1.0

Fiat Uno Mille 1990 – Foto: divulgação
O Uno Mille, lançado em 1990, foi um dos principais responsáveis pela consolidação dos automóveis modernos com motor de 1.000 cm³ no Brasil. Equipado com um propulsor de 994 cm³ e 48 cv, o modelo aproveitou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos dessa cilindrada, cuja alíquota passou de 37% para 20%. A mudança permitiu que o Mille se tornasse o automóvel mais barato do país. Em 1993, com a criação do programa federal do carro popular e a redução do IPI a zero para modelos 1.0, suas vendas ganharam ainda mais força.

Fiat Uno Mille 1990 – Foto: divulgação
O segmento cresceu rapidamente e chegou a representar 70% das vendas nacionais de automóveis em 2001, segundo os números apresentados pela Fiat. A fabricante também destaca que os veículos 1.0 responderam por 54% do mercado entre janeiro e setembro de 2026, conforme dados da Anfavea. A proposta de automóveis compactos e acessíveis continuou na própria linha Fiat, com modelos como Palio, Novo Uno e Mobi.
Fiat Uno Turbo (1994): esportivos nacionais com turbo de fábrica

Fiat Uno Turbo – Foto: divulgação
Em 1994, a Fiat inaugurou outra categoria no mercado brasileiro, desta vez entre os esportivos. O Uno Turbo foi apresentado com motor 1.4 sobrealimentado de 118 cv, capaz de levar o pequeno hatch a velocidades superiores a 190 km/h. Na época, os turbocompressores ainda eram pouco comuns em automóveis nacionais de passeio, aparecendo principalmente em veículos preparados por oficinas independentes.

Fiat Uno Turbo – Foto: divulgação
Apenas dois meses depois, a própria Fiat ampliou a oferta com o Tempra Turbo. Equipado com motor 2.0 de 165 cv, o sedan alcançava 220 km/h de velocidade máxima, tornando-se um dos carros nacionais mais rápidos de sua época. A fabricante continuou explorando a sobrealimentação em modelos como Marea Turbo, Linea T-Jet, Punto T-Jet, Bravo T-Jet e 500 Abarth. Atualmente, essa tradição esportiva é representada pelos Pulse Abarth e Fastback Abarth.
Fiat Palio Adventure (1999): o início dos aventureiros urbanos

Fiat Palio Weekend Adventure – Foto: divulgação
A Palio Weekend Adventure, apresentada em 1999, é considerada pela Fiat a responsável pela criação do segmento de automóveis aventureiros leves no Brasil. A perua recebeu suspensão elevada em 40 mm, pneus de uso misto, proteções plásticas na carroceria e acessórios externos que remetiam aos utilitários fora de estrada. O motor era o 1.6 de 106 cv. A ideia era oferecer um automóvel familiar com maior altura em relação ao solo e aparência mais robusta, sem os custos e as características de um utilitário com tração 4×4. O conceito acabou se espalhando pela própria linha Fiat, chegando à Strada, Doblò, Idea, Mille, Uno, Palio e Mobi.
Fiat Strada (1999): a picape com cabine estendida

Fiat Strada Cabine Estendida – Foto: divulgação
A Strada, lançada em 1998, trouxe outra novidade ao mercado brasileiro no ano seguinte: a cabine estendida em uma picape compacta. A configuração acrescentava aproximadamente 30 centímetros ao espaço interno, permitindo transportar pequenos objetos atrás dos bancos dianteiros. Também possibilitava maior reclinação dos encostos, melhorando a acomodação dos ocupantes.

Fiat Strada Cabine Estendida – Foto: divulgação
A solução atendia principalmente aos consumidores que utilizavam a picape tanto para trabalho quanto para deslocamentos pessoais, oferecendo uma alternativa à cabine simples sem comprometer tanto o tamanho da caçamba. O conceito evoluiu ao longo dos anos e permanece na atual geração da Strada, embora a configuração de dois lugares seja comercializada com a denominação Cabine Plus.
Fiat Strada (2009): a primeira picape compacta com cabine dupla

Fiat Strada Adventure Cabine Dupla – Foto: divulgação
Dez anos depois, a Fiat voltou a modificar a Strada ao apresentar uma configuração de cabine dupla, em 2009. A carroceria era aproximadamente 55 centímetros mais longa que a cabine convencional e acrescentava um banco traseiro para dois passageiros. Em 2013, a fabricante introduziu uma terceira porta, instalada no lado direito, para facilitar o acesso aos ocupantes traseiros. A segunda geração da Strada, apresentada em 2020, manteve a opção de cabine dupla, mas passou a oferecer quatro portas convencionais e capacidade para cinco ocupantes.
Bônus: Fiat Toro (2016) e a disputa pelo pioneirismo com a Renault Oroch
- Renault Duster Oroch – Foto: divulgação
- Fiat Toro 2016 – Foto: divulgação
A Fiat também reivindica a criação do segmento de picapes intermediárias, com o lançamento da Toro, em fevereiro de 2016. Entretanto, a Renault Duster Oroch já havia chegado ao mercado brasileiro em 2015, antecipando uma proposta bastante semelhante. Apresentada em setembro daquele ano, a Oroch foi desenvolvida a partir do SUV Duster e tinha 4,69 metros de comprimento. Ficava, portanto, entre as picapes compactas, como Strada e VW Saveiro, e as médias tradicionais, como Toyota Hilux e Chevrolet S10.

Fiat Toro 2016 – Foto: divulgação
A Toro seguiu a mesma ideia, embora fosse maior, com aproximadamente 4,92 metros de comprimento, ou 22 centímetros a mais que a concorrente francesa. Também oferecia uma cabine dupla com quatro portas e cinco lugares, além de uma caçamba. As semelhanças não se limitavam ao tamanho ou ao público-alvo, já que ambas utilizavam construção monobloco, igual a de carros de passeio, e contavam com suspensão independente nas quatro rodas, que favorecia o conforto e o comportamento dinâmico.

Renault Duster Oroch – Foto: divulgação
A Oroch utilizava uma plataforma derivada do Duster, enquanto a Toro aproveitava a arquitetura Small Wide, também utilizada por modelos do grupo FCA. A Renault apostava inicialmente em motores flex 1.6 e 2.0, enquanto a Fiat oferecia opções flex e turbodiesel, incluindo versões com tração integral. Portanto, embora a Toro tenha alcançado maior sucesso comercial e ajudado a consolidar a categoria, o pioneirismo cronológico pertence à Renault Oroch, que chegou alguns meses antes e já reunia as principais características de picape intermediária.
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