Tecnologia nova, esquema criminoso novo: o Golpe do Free Flow já está fazendo vítimas no Brasil
Golpe do Free Flow: veja como se prevenir em 2026
Por: Lucca Mendonça – Especial para FullPower
O pedágio Free Flow, sistema que permite a cobrança automática de tarifas sem a necessidade de praças tradicionais, está se tornando uma nova oportunidade para criminosos aplicarem golpes na internet. Aproveitando as dúvidas dos motoristas sobre como consultar e pagar as passagens, fraudadores criam páginas falsas de concessionárias, anúncios patrocinados e mensagens que simulam cobranças legítimas. O problema, chamado de Golpe do Free Flow, já levou à retirada de mais de 2.500 sites fraudulentos do ar.
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Golpe do Free Flow – Foto: Econoroeste/divulgação
O número foi divulgado pela plataforma Pedágio Digital, que reúne concessionárias como Motiva, EcoRodovias, CNL e Tamoios. Segundo a empresa, mais de 2.500 páginas que utilizavam indevidamente sua identidade foram denunciadas e removidas. Outro levantamento, realizado pela companhia de segurança digital Kaspersky, identificou 480 sites falsos relacionados ao Golpe do Free Flow somente desde o início de 2026.
Os levantamentos não necessariamente consideram os mesmos endereços, mas mostram como a expansão da cobrança eletrônica nas rodovias brasileiras também abriu espaço para fraudes. Como o Free Flow dispensa cancelas e cabines, muitos motoristas ainda não sabem exatamente onde consultar suas passagens ou como realizar os pagamentos, e aí surgem as oportunidades para o Golpe do Free Flow.

Pedágio Free Flow – Foto: Agência SP
Como funciona o golpe do Free Flow?
Diferentemente das praças convencionais, o pedágio Free Flow utiliza pórticos equipados com câmeras e sensores capazes de identificar os veículos durante a passagem. A cobrança pode acontecer automaticamente para quem possui uma tag eletrônica vinculada a uma conta de pagamento. Já os motoristas sem esse dispositivo precisam consultar os débitos e quitar as tarifas pelos canais disponibilizados pelas concessionárias.

Golpe do Free Flow – Foto: reprodução/Blog Sem Parar
É justamente nessa segunda situação que os criminosos encontram uma oportunidade para o Golpe do Free Flow. Eles desenvolvem páginas semelhantes às de empresas legítimas, copiando logotipos, cores, imagens e até a organização dos menus. Em alguns casos, os sites aparecem nas primeiras posições dos mecanismos de busca por meio de anúncios pagos. O motorista informa a placa do veículo, encontra uma suposta cobrança pendente e recebe instruções para realizar o pagamento, geralmente por PIX. Segundo a Kaspersky, algumas páginas fraudulentas conseguem apresentar informações reais dos automóveis, aumentando a credibilidade da fraude.
Outra estratégia do Golpe do Free Flow envolve mensagens enviadas por WhatsApp, SMS ou e-mail. Os golpistas alegam que existe uma passagem não paga e ameaçam o motorista com multas, problemas na documentação ou até suspensão da CNH, caso a cobrança não seja quitada imediatamente. O objetivo é criar uma sensação de urgência, levando a vítima a clicar no endereço enviado e pagar antes de verificar se a cobrança realmente existe.

Pedágio Free Flow – Foto: Econoroeste/divulgação
Como identificar uma cobrança falsa?
A primeira recomendação é desconfiar de qualquer endereço recebido por mensagens ou encontrado em anúncios patrocinados. Mesmo quando o site apresenta a identidade visual de uma concessionária conhecida, isso não significa que seja legítimo. O ideal é acessar diretamente os canais oficiais da empresa responsável pela rodovia. Também vale conferir cuidadosamente o endereço eletrônico, já que os criminosos costumam utilizar domínios semelhantes aos verdadeiros, alterando letras, acrescentando palavras ou utilizando terminações diferentes.

Golpe do Free Flow – Foto: CCR/divulgação
Erros de português, imagens distorcidas, informações contraditórias e ausência de canais de atendimento também podem indicar o Golpe do Free Flow. Entretanto, páginas falsas mais elaboradas conseguem reproduzir quase perfeitamente a aparência dos sites originais. Antes de confirmar qualquer pagamento por PIX, o motorista deve verificar o nome do destinatário apresentado pelo aplicativo bancário. Caso as informações não correspondam à empresa responsável pela cobrança, a transação não deve ser concluída. Outra precaução importante é não fornecer CPF, dados bancários ou outras informações pessoais em páginas cuja procedência não tenha sido confirmada.
Onde pagar o pedágio Free Flow com segurança?
A maneira mais segura de consultar uma passagem é utilizar os aplicativos e sites oficiais das concessionárias responsáveis pelos trechos percorridos. Algumas empresas também disponibilizam plataformas integradas que permitem localizar débitos a partir da placa do veículo. O aplicativo CNH do Brasil passou a oferecer informações sobre passagens de Free Flow integradas às bases nacionais, podendo direcionar o motorista ao canal responsável pelo pagamento. A disponibilidade das informações depende da integração dos sistemas utilizados pelas concessionárias.

Pedágio Free Flow – Foto: divulgação Ecovias Noroeste
Para quem utiliza tags eletrônicas, a cobrança normalmente é realizada automaticamente, conforme as condições do serviço contratado. Ainda assim, vale acompanhar os lançamentos para identificar possíveis inconsistências. Em qualquer situação, a recomendação é evitar pagamentos realizados a partir de links recebidos de terceiros, mesmo quando a mensagem aparenta ter sido enviada por uma empresa conhecida, evitando o Golpe do Free Flow.
Caiu no golpe do Free Flow? Veja o que fazer
Caso tenha realizado um pagamento em uma página fraudulenta do Golpe do Free Flow, o primeiro passo é procurar imediatamente o banco ou instituição financeira utilizada na transação. Se o pagamento aconteceu por PIX, é importante comunicar a suspeita de fraude e solicitar a análise da operação para verificar a possibilidade de recuperação do dinheiro.

Pedágio Free Flow – Foto: Motiva Rodovias
Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e preservar todas as informações relacionadas ao golpe, incluindo comprovantes, mensagens, capturas de tela e o endereço do site utilizado. Esses registros podem auxiliar as instituições financeiras e autoridades na investigação. Quanto mais rapidamente a fraude for comunicada, maiores poderão ser as chances de interromper movimentações financeiras relacionadas ao pagamento indevido.
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