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Impressões: Honda City 2027 muda a cara, mas não o coração

O Honda City 2027 mudou, e agora parece o Prelude. Mas, e no uso?

Honda City 2027 - Foto: Lucca Mendonça

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Por: Lucca Mendonça – Especial para FullPower

O Honda City 2027 repetiu uma fórmula que estreou, antes, na Índia. O carro ganhou dianteira reestilizada, interior evoluído em alguns pontos, e estilo visual mais esportivo, que remete até aos esportivos da marca, como o Prelude: seus faróis estão mais afilados e pontiagudos, a grade tornou-se mais discreta, o parachoque mais fechado, enquanto a parte traseira passou a contar com novo parachoque, principalmente. Por dentro? como maior novidade, uma multimídia maior, exclusiva das versões mais caras. No mais, é o mesmo bom modelo lançado lá em 2021.

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Honda City 2027: versões e preços

Para o Honda City 2027 na carroceria hatch, são cinco versões: LX por R$ 117,7 mil, EX por R$ 137,4 mil, EXL por R$ 144,8 mil, Touring por R$ 153,3 mil e RS por R$ 156,4 mil (o que lhe garante o posto de hatch compacto mais caro do Brasil, disparado). Para o sedan Honda City 2027, são quatro opções: LX por R$ 117,7 mil, EX por R$ 138,4 mil, EXL por R$ 145,8 mil e Touring por R$ 154,3 mil. A linha Honda City 2027 encareceu até R$ 1,1 mil.

Honda City 2027 – Foto: Lucca Mendonça

Como é o Honda City RS?

Quem é o tal do Honda City Hatch RS? Um esportivado, com partes em preto brilhante pela carroceria (teto e capas dos retrovisores), rodas com acabamento exclusivo, ponteira de escape destacada, apliques aerodinâmicos nos parachoques e interior escurecido com costuras vermelhas. É a opção mais cara da linha, superando, inclusive, o Sedan Touring em relevantes R$ 2 mil. Ela substitui a Touring Sport, com uma pitada extra de preparação estética, embora não sofra nenhuma alteração mecânica. RS, aliás, significa Road Sailing, algo como “velejador das estradas”.

Tradicional

Apesar de caro, especialmente em épocas de chineses a preços competitivos, o Honda City 2027 aposta na confiabilidade, economia e robustez. E, com pelo menos 3 mil emplacamentos mês para cada carroceria (hatch e sedan), em média, ele ainda prova que, quem quer um Honda, compra um Honda, independente do preço que ele custe. Falo de quem não simpatiza com motores turbo (ou pensa que não precisa deles), quem é fã da marca, quem já tem outro Honda, ou mesmo quem aposta na fama de inquebrável que esses carros japoneses carregam.

Honda City 2027 – Foto: Lucca Mendonça

Até por isso, o Honda City 2027 praticamente não mudou na mecânica. A marca mexe pouco nesse ponto, justamente para não perder os clientes citados acima. Sob o capô está o bom e velho 1.5 16v de aspiração natural, com longos anos de estrada, que hoje já conta até com injeção direta, mas sem turbo ou compressor. Entrega seus bons 126 cv de potência, 15,5/15,8 mkgf de torque (gas/eta), e se faz valer por algumas qualidades: é bastante suave e silencioso, suficientemente forte em baixos giros (mesmo sem turbo), e, principalmente, econômico.

Honda City 2027 – Foto: Lucca Mendonça

Economia é destaque

Em trajeto rodoviário, dependendo, a carroceria sedan do Honda City 2027 consegue mostrar médias de consumo até melhores que as do hatch, por conta da carroceria aerodinamicamente mais fluída. Sem elevar a rotação do 1.5 desnecessariamente, optando pelo modo Eco de condução e sabendo aproveitar o gerenciamento de força do câmbio CVT, pode ir além dos 18 km/l de gasolina, conforme números obtidos no próprio test-drive, entre São Paulo (capital) e São Roque (interior). O sedan também é dono de um rodar mais macio, e de um balanço mais suave.

Honda City 2027 – Foto: Lucca Mendonça

Naturalmente, o Honda City 2027 na carroceria hatch segue sendo a carroceria de caráter mais esportivo na linha. A traseira mais curta, com alguns quilinhos a menos (ele é leve na sedan, e ainda mais leve na hatch – menos de 1.200 kg), e suspensões com calibração ligeiramente mais rígida, já fazem a diferença na hora de dirigir, passando a impressão de um carro mais jovial e dinâmico. Na performance prática, porém, nada muda: o 1.5 e o CVT estão lá, bem como as excelentes médias de consumo (aferidos, 13,2 km/l na cidade e 17,8 km/l na estrada com gasolina).

Como anda?

Honda City 2027 – Foto: Lucca Mendonça

Mesmo indo na contramão dos rivais, sem superalimentação, o Honda City 2027 não é um carro que deixa a desejar na condução. O 1.5, com injeção direta e duplo comando variável, tem boa dose de força em baixos giros, que movem com agilidade o Honda leve. Apesar de ter o pico de torque oficial só a altos 4.600 rpm (coisa de motor VTEC), muito antes disso, ao redor dos 3.000 rpm, já é possível extrair quase todo o potencial do conjunto em retomadas de velocidade, ultrapassagens e acelerações mais urgentes. A boa aliança com o câmbio CVT, que até permite trocas manuais das suas pseudo-marchas e não “escorrega” muito, colabora.

Honda City 2027 – Foto: Lucca Mendonça

No mais, tem o acerto justinho de direção e freios, ótimo comportamento em frenagens fortes ou curvas rápidas (tem baixo centro de gravidade, carroceria perto do solo), e alto nível de silêncio a bordo. É caro, mas entrega um degrau ligeiramente superior ao dos principais concorrentes em alguns pontos. No uso diário, pode incomodar apenas os parachoques que raspam com facilidade em lombadas, valetas e rampas, enquanto as suspensões, equilibradas entre conforto e dinâmica, não são mais duras e pouco flexíveis como nos Honda mais antigos. Espaço interno, nos dois carros, sobra: 2,60 m de entre-eixos, enorme vão entre bancos dianteiros e traseiro e teto alto.

Honda City 2027 – Foto: Lucca Mendonça

Nova multimídia

Sem sair do interior, a grande novidade do Honda City 2027 está na multimídia de 10 pol. e interface renovada das versões mais caras (nas mais baratas, segue a tela de 8 pol. anterior). Além de estar saltada do painel, semi-flutuante, a nova central é mais rápida e fluída na operação, com menus intuitivos e estilo mais moderno. Só peca em abandonar botões físicos importantes, como o de controlar o volume (o aparelho de 8 pol. tem até botão giratório, bem fácil de operar). É possível controlar o volume rapidamente com gesto de dois dedos na tela na nova central, mas a ausência de botões físicos sempre acaba perdendo pontos no quesito praticidade.

Honda City 2027 – Foto: Lucca Mendonça

Na Índia, o Honda City 2027 ganhou alguns itens que o modelo brasileiro não importou, como banco do motorista com ventilação, câmeras 360º e até iluminação ambiente em LED personalizável. Preferiram apostar no pacote anterior, que já é bem-servido: freio de mão eletromecânico, carregador sem fio, painel com tela de 7 pol., ar digital automático dual zone (algo raro na categoria) com saídas traseiras, conjunto óptico full-LED, bancos em couro, 6 airbags e generoso pacote ADAS, com vários assistentes de condução. Aqui falo do pacote mais recheado: a LX, mais simples, vem com calotas plásticas, bancos de tecido, instrumentação convencional e outras economias.

Cores e garantia

O Honda City 2027 pode ser pintado de Branco Tafetá Sólido, Preto Cristal Perolizado, Prata Platinum Metálico, Cinza Basalto Metálico, Cinza Titanium Perolizado, Azul Cósmico Metálico, Branco Topázio Perolizado e Vermelho Supernova Perolizado, sendo essa última opção exclusiva da carroceria hatch. O RS Hatchback traz teto em preto brilhante de série, enquanto a Touring Sedan pode vir com interior na cor clara, dependendo do tom da carroceria. Sua garantia é de 6 anos sem limite de quilometragem.